Quarta-feira, Março 25, 2009
acabou o suspiro (?)
suspiro um suspense
agora pense:
quando será nosso último suspiro?
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sinos e sirenes
A internet é revolucionaria pois proporciona uma comunicação bilateral entre emissor e receptor, superando por exemplo a unilateralidade da televisão que conserva o receptor em uma posição passiva diante da informação
A rede acelera e democratiza o acesso ao conhecimento
A internet favorece o processo de individuação pois dá a mesma voz ao dominado que dá ao dominador
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Revolução de Orkuts, MSNs, UOLs e Googles? De que vale a comunicação bilateral diante da auto-gestão da passividade e da unilateralidade da mensagem "CONCEDA"?
A saturação da informação gera a banalização do conhecimento e o atrofiamento da reflexão
A ilusão da onipresença reduz a resistência a uma inútil simulação de si mesma e a impede de tomar forma diante do objeto de sua critica no espaço público
Com os primeiros raios solares se levantou, fechou a cortina, preparou um café, abocanhou algumas bolachas e sentou-se na frente do Laptop. Passou alguns minutos observando a companheira nua, iluminada por indiscretos raios que ousavam atravessar as grossas cortinas. Se lembrou dos movimentos noturnos, da dança insana em que os cômodos do pequeno apartamento serviram de palco. A talentosa amiga de longas pernas oscilava entre o amor romântico de uma noite de núpcias e o iminente ímpeto de estrangular o companheiro entre as coxas quentes. “E como eram quentes”, pensou enquanto degustava o café, um irresistível caminho de brasas que guardava no final uma rosa molhada de chuva, pronta a se abrir acolhedora ao supliciado. Começou. Com uma mão no pau e outra no teclado, vestia de palavras suas impressões matinais, pontuava as respirações mais intensas com exclamações, descrevia com excesso de vírgulas o processo do desnudamento, o percurso das bocas pelos labirintos do corpo caminhava pelo estranho e infinito mundo das onomatopéias, por vezes sentia que a grande exclamação estava perto, então usava os três pontos...e recomeçavam as mordidas, as vírgulas, as carícias, as interjeições, os imperativos, o rodamoinho dos seios, o caminho das brasas, a rosa. E no tecido do texto a cena se compunha, não exatamente como tinha ocorrido, mas com novas idéias que surgiam a cada vez que olhava a companheira deitada, nas diversas posições em que esteve durante esse tempo, nos diferentes modos que apreendeu os contornos daquele corpo amigo. Parou por um tempo de escrever, pensava em como terminar o texto, fixou-se distraidamente na panturrilha que escapava do lençol, que se expunha aos raios que a essa hora já invadiam com toda força as frestas da cortina, a moça abriu um dos olhos com preguiça, viu o amante com uma mão no pau e outra na “pena”, amável, sorriu da bizarrice, estendeu a perna descoberta até o botão que ligava o som , ficou feliz com a canção que surgiu “Let's get lost, lost in each other's arms...” e fechou os olhos enquanto Chet Baker inundava o quarto com sua voz e seu trompete.
Nietzsche em “O Anticristo” (1895), diz: “Fomos suficientemente corajosos, não poupamos nem a nós nem aos outros: mas por muito tempo não sabíamos aonde ir com nossa coragem. Tornamo-nos sombrios, éramos chamados de fatalistas. Nosso destino era a plenitude, a tensão, o represamento das forças. Tínhamos sede de energia e proezas, mantivemo-nos o mais afastado possível da alegria dos débeis, da “resignação”...Havia uma tempestade em nosso ar, a natureza, que somos nós, escureceu porque não tínhamos caminho. A fórmula da nossa felicidade: um sim, um não, uma linha reta, uma meta... ”. Fatalista, sábio, cético, louco. Da filosofia, sua arte, da lucidez, sua loucura, da desconstrução, uma visão que muito nos serve. Fez, foi e ficou na história porque acreditava nas suas convicções e no sentido que elas faziam, por mais que faltasse. Desacreditava na maioria das verdades universais, mas nunca dele mesmo. E por que não admirar essa coragem...E por que não ousar o desejo...
Decisões que adiamos, falas que contemos, a modernidade não sabendo escolher pois não sabe o que deseja. É o desejo que não é encarado porque pesa demais. Ficamos então emperrados nos próprios medos e a liberdade em relação a nós mesmos é traída pelas nossas próprias fugas. Evitamos a dor, adiamos o luto, nos escondemos atrás das nossas vontades, porque falta força, falta coragem. Quanto pesa saber de si e por que isso nos desencoraja?! Por quê o medo do peso e a preferência pela leveza? Em Insustentável Leveza do Ser(1984),de Milan Kundera, há uma questão que aqui nos cabe: “o que é positivo, o peso ou a leveza? Se o fardo mais pesado é, ao mesmo tempo, a imagem da mais intensa realização vital e quanto mais pesado mais nossa vida é real e verdadeira e, por outro lado, ser leve é distanciar da terra; os movimentos são tão livres quanto insignificantes.”
Que seja como pedra, ou como pluma, mas que haja coragem.
Victor Dalla Nora
Faz dez horas e vinte nove minutos que o astro-mastro que brilha, nos ilumina -poste infindo-, se desloca sola(r)mente para minha destra (aceno com a mão esquerda, na tentativa de fazê-lo volver, me ver, quero puxá-lo para me aquecer). Penso segundo-a-segunda, sinto minuto-a-minuto os pequenos deslocares-dez-colares diamantes dessa engrenagem que é chamada de 'poente'. (meu braço cansado cedeu, se deu por vencido.) Molestado me sinto, em mau estado me insiro. O caso é que nesses tantos moveres o ocaso ocorreu: em mim não mais é luzente aquilo que um dia me corou, me queimou; mesmo sem mãos ou pés no chão, devo seguir o sol, devo seguir o sol, o brilho, devo seguir o sol, seu brilho diamate.
tantas cores, tantos amores.
(respiro)
ainda há cores, não mais amores.
Minhas faculdades adentram no meu estado "calamidade" - se preferir, pode intervir e dizer que se trata de um mergulho “não se assuste com o tempo de submersão, não sufocarei, afinal, é uma espécie de apnéia que pratico em você” dirá, direi- onde a farei soltar gritinhos abafados contra um travesseiro que me cheira, travesseiro-parede, travesseiro-corda que te sufoca o pescoço marcado por meus dentes-tambicu. Suas mãos desesperadas procuram exasperadamente um sustento. Te sustento-alimento com o travesseiro, o enfiando cada vez mais pro-fundo de sua boca de alma rasa.
tudo o que me interessa nessa cena é sua mão esquerda que acenará na tentativa de fugir de impedir (seu malogro) que o meu sol ilumine o seu di-amante que meu sol se aproxime de seu dia-mante e que entre através da janela revestida de sarcasmo na precisa posição-cintilar daquela pedra-dente pedra-perene que brilha escornada ao som do jazz-sirene que toca em seu 'lon plei' brubeck voltemos back voltamos long play i say baixinho cochichando em seu ouvido até acabar o som não agüentar e sufocar seu fim para que você descubra enquanto sufoca que o presente se encontra no passado embaixo de uma pedra vermelha qualquer que um pássaro derrubou em sua jornada para casa causando algum estrago naquelas palavras que ocultam palavras. um mistério ou uma mera estupi-dez colares diamantes em meus bolsos e você imóvel cor lilás na cama com o sustento-travesseiro na boca.
agora parado:
observava as rachaduras do muro de uma só cor, quando, começou a chover pingos de água do céu sua graça
os pingos manchavam o muro para uma segunda cor criando um novo ambiente que me fazia rachar por dentro achar que meus olhos estivessem cansados
ambientei-me nesse segundo para a segunda cor que estava tomando forma batendo pingos na parede em mim
fui seguindo com os olhos mãos corpo e espírito os traços que esses pingos, essa nova cor, formavam
sensações se refletiram em mim como se eu estivesse dentro de um marasmo espelhado pois pude perceber que esses traços espalhados eram compostos por frases soltas de um parágrafo seu, frases suas que reverberavam em mim
já andando:
me afastei e pude ver embaçada pelos pingos deformada pelas traças a sua face oriunda da chuva; você bateu-me como uma revelação
não me conformando:
selei sua boca tracejada com um beijo celo-fane forçando-te a sair do muro pingado e vir a mim pingada pela chuva molhada.
