quarta-feira, março 25, 2009

Paulo Unzer

"Sobre a Indiferença"
“Vivemos em um tempo perigoso uma vez que a indiferença tomou o lugar do ódio, tornando a hipótese do amor uma utopia.”


Indiferença e Diferença. O ser Diferente se opõe ao Indiferente. O ser Diferente tem a habilidade de diferenciar aquilo que presta daquilo que não presta para si. Ele detém critérios muito bem delimitados para fazer suas escolhas. Nesse ponto trago Nietzsche a estória. “Não quero participar de nenhuma revolução que não seja dançante”.Esse seria o critério do ser Diferente.


O ser Indiferente é o contrário do Dieferente. Ele não faz de nada uma questão. Aceita tanto A, quanto B, quanto C. Só não aceita sair da condição de Indiferente, essa é sua segunda grande característica. O ser Indiferente não Ama porque não faz diferença. O ser Indiferente não Odeia, nem se Vinga porque não faz diferença. Seus critérios de escolha são outros também. Tudo aquilo que o faça sair da sua calmaria, do seu gozo ad-eternum, é negado.


O tédio é o maior inimigo do ser Indiferente.


A própria existência do Indiferente é a maior tentação do ser Diferente.


Problematizada, a existência se torna um irracional imponderável onde o saber e o querer lutam e aspiram vencer, foi o que me disse certa vez um amigo.


Vivemos em um tempo perigoso uma vez que a indiferença tomou o lugar do ódio, tornando a hipótese do amor uma utopia.

A indiferença é, sem dúvidas, uma das mais perigosas armas que alguém pode deter para atacar a si e o outro. Em Psicanálise, costuma-se acreditar que o oposto do amor não é o ódio, mas a própria indiferença.

A territorialidade da indiferença é absolutamente gélida e nada abrasiva. Não há problemas, não há angústia, não há pulso, não há nada senão um enorme espaço desértico, frio e pairado sobre a cor cinza.

A pesquisa psicanalítica não aceita a hipótese da neutralidade do pesquisador, que o mesmo seja imparcial em relação àquilo pelo qual se interessa. O pesquisador é um aventureiro que trilha a estrada de sua própria desgraça pessoal, aquele que desce ao inferno necessário para saciar a abrasividade de sua questão.

Com isso, quero dizer que sinto no corpo os efeitos deste período negro da história de nossa cultura e por isso, faço disso uma séria questão.

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